Os cadetes que vestiram o manto da Seleção Brasileira

Atualizado: 25 de Out de 2020

Por Lucas Baima -“São Cristóvão, São Cristóvão. Teu passado é tão belo. Quantas vitórias em Figueira de Melo”. Essas são as primeiras palavras do hino oficial do clube, composto por Lamartine Babo na década de 40. Época em que o clube vivia seus anos dourados e figurava entre os principais times do Rio de Janeiro.


Inúmeros jogadores contribuíram para esse passado vencedor do São Cristóvão e alguns destes atletas conseguiram representar o nosso clube do Bairro Imperial na Seleção Brasileira, chegando a disputar Copas do Mundo. É sobre esse grande feito de alguns jogadores cadetes que vamos falar hoje.


Em 1930, na primeira edição da Copa do Mundo, disputada no Uruguai, dois jogadores do São Cri-Cri foram convocados para a Seleção Brasileira: o zagueiro Zé Luís e o atacante Doca. Ambos foram campeões pelo São Cristóvão na gloriosa campanha do título carioca em 1926. Zé Luís, que defendeu o clube por mais de 10 anos, foi titular na vitória do Brasil por 4x0 em cima da Bolívia, esta que foi a primeira vitória da Seleção Brasileira em Copas do Mundo. O atacante Doca por sua vez, não foi titular e não entrou em nenhuma das duas partidas jogadas, mas marcou um gol pela Seleção em um amistoso contra os Estados Unidos no mesmo ano.


Zé Luís agachado no meio. Foto: Arquivo CBF

Já em 1934, naquela que alguns europeus consideram a “primeira” Copa do Mundo oficial, o São Cristóvão não teve nenhum jogador convocado, mas mesmo assim não deixou de ser representado. O técnico do título estadual de 1926, Luiz Vinhaes, era o comandante da Seleção Brasileira na ocasião. Vinhaes, como era conhecido, já era técnico do Brasil desde 1931, tendo vencido a Copa Rio Branco em 1932, na qual era disputado em jogo único contra o Uruguai, e também conquistou seu segundo título carioca pelo Bangu em 1933. Vinhaes tinha a fama de ser muito enérgico e cobrar muita disciplina dos jogadores na parte física.


Preparação física da Seleção Brasileira no navio que estava a caminho da Europa para disputa da Copa do Mundo. Foto: Arquivo CBF

Na Copa do Mundo de 1938 o São Cristóvão voltou a ter 2 jogadores selecionados para a Seleção Brasileira, foram eles: o meia Afonsinho e o atacante Roberto. Ambos os jogadores estavam na campanha do título estadual de 1937, tendo ainda o atacante Roberto como artilheiro da competição.


Na terceira edição da Copa do Mundo, que foi disputada na França, o Brasil obteve seu melhor resultado até o momento. Ficou com a medalha de bronze e contou com bastante participação de ambos os jogadores cadetes. Dos 5 jogos disputados pela Seleção na Copa, Afonsinho jogou 4 como titular, o meia fazia parte dos jogadores de confiança do técnico Ademar Pimenta, que por sua vez também já havia sido técnico do São Cristóvão. O atacante Roberto jogou duas partidas, mas foi muito importante para a equipe ao marcar o gol derradeiro que deu a vitória para o Brasil no jogo de desempate contra a Tchecoslováquia em jogo válido pelas quartas-de-final. Os dois jogadores chegaram a atuar juntos na vitória por 4x2 na disputa de terceiro lugar contra a Suécia.


Da esquerda para a direita podemos ver Roberto em 8º e Roberto em 10º, Afonsinho. Foto: Arquivo CBF

Infelizmente estes são os últimos jogadores do São Cristóvão a participarem de uma Copa do Mundo. No entanto, temos Ronaldo Fenômeno, que foi revelado na base do Tóvão, e disputou as Copas de 1994, 98, 2002 e 2006, ainda se consagrando o maior artilheiro de todas as Copas com 15 gols, sendo superado somente em 2014.

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